É. As coisas andam meio devagar por aqui. O salário do servidor continua o mesmo de 2001, tempos da detestável Nair. Seo Mario Diogo continua a mesma itaúba de sempre, firme como um menino de 18 anos; o cara-dura continua o mesmo flamenguista do passado; o Pena continua marxista e sem um dedo… Nada há de novo debaixo do céu…
Será?
Nem tudo: Além do nascimento do meu oitavo filho, uma coisa mudou em Boca do Acre: o preço da droga. Esse não caiu, desabou. Em minha profissão, lido com usuários e com comerciantes da droga. Em conversa com os primeiros, é visível o estado de êxtase em que estão: “mano, agora tá fácil demais: a gente compra em todo lugar. E é baratinho. Qualquer R$ 3,00 (três) reais já compra uma parada boa”. E lá veio a facada: “Intera aí, me arranja um real”. Já entre os abutres, reina o descontentamento, com o aumento da concorrência: “Pô, antes era só a gente. Não era fácil ser traficante. Tinha de ser bom, cara. Hoje tem mais gente vendendo droga que bugigangas da Bolívia”.
Liberou geral. Isso aqui virou Amsterdã. Banalizaram a venda e o consumo da droga. Boca do Acre virou um paraíso para essa marginalidade. Aliás, com a liberação das drogas em Boca do Acre, não se pode mais chamar os traficantes de “marginais”, já que não vivem mais à margem da lei. Pelo menos, parece que não vivem, já que a lei e seus representantes os ignoram.
Sempre me intrigou as facilidades com que a “Polis” e seus derivados (polícia, políticos) tratam esse problema. Especialmente a Polícia. Isso porque os pontos de venda de droga e os traficantes de Boca do Acre são conhecidos de todos. Você, que está lendo essa matéria, se vive em Boca do Acre há mais de cinco anos, certamente conhece pelo menos um desses pontos de venda. E não é porque o freqüenta. É porque eles funcionam escancaradamente. Como se fosse um negócio comercial qualquer. Só lhe falta tirar o CNPJ, na Receita, a Inscrição Estadual, na Sefaz e o Alvará de Funcionamento, na Prefeitura.
Enquanto isso, quase toda semana recebo clientes que se dizem torturados por policiais militares. Na maioria das vezes, o espancamento covarde acontece após as pessoas serem algemadas. Nesses últimos doze anos de Boca do Acre, já ingressei com mais de seis ações de tortura, incluindo alguns comandantes da 5ª CIPM. Nenhuma até hoje deu em nada. Agora estou ingressando com ações de danos morais contra o Estado, como responsável por esses atos de tortura cometido por seus servidores. Já tenho duas na liça. Vamos ver no que vai dar.
A diferença de tratamento é brutal: para o combate às drogas, displicência e omissão; para enfrentar os conflitos interpessoais, violência e, em alguns casos, tortura.
Combater as drogas não é difícil. Difícil é combater o envolvimento do Estado, de seus políticos e de sua policia com as drogas, retratado todos os dias na mídia. Essa simbiose nojenta do público com o privado; da lei com os fora-da-lei; da polícia com os bandidos, que deu em prisão e morte de Deputado em Manaus. Essa história só vai mudar quando mudarem os Governadores, os Prefeitos, os Comandantes Estaduais das PM’s, os comandantes locais e todos os policiais envolvidos com o tráfico. Evidentemente, sem trocar seis por meia dúzia. Há bons policiais, há bons políticos. Nessas instituições, há pessoas comprometidas com o interesse público, com a moralidade e com o combate ao crime. O problema é que na maioria das vezes esses bons servidores e agentes políticos são tratados como “marginais” e colocados “à margem” das instituições a que servem.
O artigo foi escrito em 21/09/2010 pelo Dr. Félix no site www.portaldopurus.com.br, para ver a postagem original clique aqui
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