04/10/2011
Posted in Política
O município amazonense de Boca do Acre, é um dos municípios mais atingidos por desmatamentos e, não é de hoje. Na década de setenta, o fazendeiro João Branco, desmatou vastas áreas de terra, ou seja, tirou as árvores para colocar em seu lugar a pata de gado. Por causa dos desmates gigantescos, e da forma brutal como sempre tratou os trabalhadores, João Branco sofreu o primeiro ato de empate, a política marcante de Chico Mendes, para impedir desmatamentos. Ressalte-se que o empate sempre existiu no Amazonas. Em 1978, por exemplo, os pescadores do Lago do Janauacá, município de Manaquiri, retiraram à bala armadores de pesca que não atenderam aos avisos de parar com a pesca criminosa por meio de redes de arrastão. João Branco foi político. Esteve envolvido na morte do próprio Chico Mendes e agrediu, fisicamente, o jornalista da Folha, agora deputado federal Fernando Gabeira, no aeroporto de Rio Branco (AC). A herança de João Branco está lá. Uma das cidades amazonenses mais paradisíacas, localizada na foz dos rios Acre e Purus, com temperatura amena e berço de inscricões rupestres gigantescas, ao melhor estilo das Linhas de Nazca, na Bolívia, sofre, terrivelmente, com a falta de terra para o povo trabalhador. Ali ocorre uma das maiores concentrações de terra em mãos de poucos. Para se ter uma idéia de como os fazendeiros avançaram, basta ver a pequena terra que restou aos índios apurinã, que eram uma nação grandiosa e donos da maioria daquelas terras e acabaram espoliados, massacrados e humilhados pelos fazendeiros de lá. A Boca do Acre dos caboclos, dos índios e dos ribeirinhos, tem muito a ver com a conquista do Purus e do próprio Estado do Acre, pelo Brasil. Foi por meio, a partir daquele ponto, onde está a cidade, que seringueiros partiram para "conquistar" as novas terras, reivindicadas pela Bolívia. (Orlando Farias)
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